Novas variantes da Covid são mais agressivas ao atingir população jovem

A amostragem ocorreu em adultos de todas as idades na primeira onda de Covid-19 em 2020.

Novas variantes da Covid são mais agressivas ao atingir população jovem

Lara Caccia e Priscila Pacheco

Um estudo lançado pela Revista The Lancet reforça que adultos mais jovens internados com Covid-19, têm um risco alto de sofrer complicações.

Segundo o estudo realizado no Reino Unido, 4 em cada 10 pessoas entre 19 e 49 anos desenvolveram problemas nos rins, pulmões ou outros órgãos durante o tratamento. Foram analisados 73.197 indivíduos, com participação de 302 hospitais do Reino Unido.

A amostragem ocorreu em adultos de todas as idades na primeira onda de Covid-19 em 2020.

Na análise, durante o período de internação, quase a metade dos pacientes sofreram complicação, sendo, a mais comum, a renal, seguida por lesão pulmonar e cardíaca.

No Brasil, especificamente no Ceará, a realidade seguiu a tendência mundial evidenciando que o público mais jovem também foi alvo do vírus.

O médico pneumologista, supervisor do Centro de Educação Permanente em Gestão e Saúde da Escola de Saúde Pública do Ceará, Fabrício Martins, relata que houve aumento significativo de pacientes mais jovens com complicações em decorrência da covid-19 com impactos também após alta hospitalar.

“Sem dúvida alguma a gente vê o número muito grande de pacientes mesmo mais jovens, principalmente aqueles que têm quadros mais moderados e severos da doença, evoluindo para o que a gente chama de síndrome pós-covid. Não é pelo fato do indivíduo ser mais jovem que essas sequelas não existam, elas existem e a gente vê um aspecto bem parecido com os pacientes de maior idade como: dificuldades respiratórias, necessidade muitas vezes de reabilitação pulmonar principalmente nos pacientes internados, às vezes sintomas em relação ao olfato, ao gosto dos alimentos, dor de cabeça, dificuldade para dor dormir, sintomas de depressão e ansiedade”, disse.

Segundo o especialista, o acometimento de jovens pela covid-19 vem sendo notado desde a primeira onda da pandemia, reforçando que as ações de segurança precisam ser mantidas com distanciamento social e uso de máscara (uso de máscara adequada de preferência as máscaras de maior proteção tipo PFF2, N-95).

“Não é pelo fato de a pessoa ser mais jovem que isso não aconteça. As sequelas estão aí e existem serviços de reabilitação aqui em Fortaleza mostrando um grande número de pacientes jovens”, evidenciou o médico.

Com a mudança de público, principalmente com a vacinação dos idosos na primeira fase de imunização, a 2ª onda constatou o que dizem os estudos atentando para uma mudança no padrão de faixa etária. “Isso é mostrado no trabalho que foi citado por pesquisadores cearenses que traz uma resposta importante e uma reflexão.

A covid-19 é uma doença que diz respeito a todos nós, claro que as pessoas que têm mais fatores de riscos como os mais idosos que tem risco maior de evoluir às complicações e gravidades, no entanto esses riscos não pertencem somente a essas pessoas.

A doença ficou, posso dizer, com uma distribuição até mais democrática em relação às faixas etárias nesta segunda onda. A gente vê uma mudança no perfil dos pacientes internados grave, inclusive em UTI, o que mostra que todo mundo tem que se cuidar”, alertou o pneumologista atentando que a vacinação ainda está em andamento, havendo ameaças das novas variantes e as medidas devem ser mantidas.

O médico conta que uma hipótese levantada recentemente e publicada por um grupo do Ceará, revela que o vírus, nas novas variantes, pode assumir uma característica bem mais agressiva, mais transmissível e mais patogênica e, devido a isso, atingiu pessoas até mais jovem.


CMF